Natal Solidário 2018

Todos os anos o Centro Cultural organiza o Natal Solidário em algum bairro periférico de Campinas. Alguns anos atrás, a festa foi no bairro próximo do Aeroporto de Viracopos, depois algumas vezes no Jardim Tamoio e nos últimos anos esta festa ocorre no Distrito de Nova Aparecida, ou carinhosamente chamado de Aparecidinha.Este ano a campanha para esta festa pretende alcançar o valor de R$3.000,00 para realizarmos as compras dos brinquedos, doces e refrigerantes que serão distribuídos na festa. A festa será no dia 20 de dezembro, na capela de Santa Teresinha, Vila Francisca, no distrito.Agradecemos todo tipo de ajuda. Quem puder participar na coleta dos donativos ou na organização da festa, agradecemos desde já a sua colaboração.

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Fabian Gueds, o contador de histórias

Minha mãe sempre me dizia que a vida é como uma caixa de chocolates: você nunca sabe o que vai encontrar. E para mim a vida foi assim, sempre me surpreendia com alguma novidade. A minha história começa nas ruas da Freguesia do Ó. Devo reconhecer que eu aprontava muito. Meus amigos da rua me desafiavam a tocar a campainha da velha chata do alto da rua e sair correndo. Só que um dia a dona foi falar com a minha mãe: aí tomei uma surra de havaiana de pau que doeu tanto que não podia sentar por um bom tempo.Mas por conta desta surra, fiquei de castigo estudando Kumon, fiz amizade com uns japoneses nerds e aprendi a jogar tênis de mesa. Venci com facilidade o Claudio Kano e o Hugo Hoyama com a minha raquete Butterfly. A minha fama ainda permanece entre os japs e todas as vezes que eu passo perto do Bunkyo na Rua Liberdade, no Metrô São Joaquim, a colônia nipônica faz uma reverência para mim. Ainda me lembro que um moleque chamado Hugo Calderano assistia aos meus treinos e hoje está indo bem em alguns campeonatos internacionais.A minha mãe dizia que milagres acontecem todo dia. Tem gente que acha que não é verdade. Mas acontecem... Um dia, enquanto estava de boas no Colégio Pré-Médico, entrou na sala o Valter César falando de um Clube de Ciências Ícaro. Junto com meu amigo Altair topamos entrar de cabeça naqueles projetos apresentado pelo rapaz de suspensório. Eu nunca achava que iria me dedicar a um projeto de pesquisa. E naquele ano concluímos no excelente laboratório de pesquisa da Aroeira um projeto de odores de frutos que atraem formigas. Conseguimos apresentar este trabalho em um congresso da SBPC em São Luís do Maranhão e ali, contemplando os Lençóis Maranhenses descobri que o meu caminho era outro: a Geografia.Minha mãe me dizia que deveria fazer sempre o melhor com o que Deus tinha me dado. Prestei Geografia na USP e fiquei maravilhado com o que conheci: uma biblioteca espetacular. Permanecia horas ali vendo mapas antigos, topografias, roteiros para caminhadas e excursões pelas montanhas. Pouco me importavam os acalorados debates políticos dos fefeleches e as manifestações cara-pintadas contra um presidente que veio do Alagoas. Mas um dia, o meu amigo Padre Rafael Moraes me perguntou: “Fabian, você já encontrou Jesus? Ora, eu nem sabia que devia procurá-lo...” respondi. Mas Jesus me encontrou, me escolheu e me conduziu para Campinas, e comecei a trabalhar como professor. Ali fiz muitas amizades, por conta das aulas e dos projetos da escola. Até fiz contato com o astronauta brasileiro Marcos Pontes... mal sabia que ele seria ministro de Ciência e Tecnologia alguns anos depois.. Mas a amizade mais importante naquele período foi com o professor João que me ensinou a arte da corrida, a paixão pela maratona.Correr a maratona é algo para poucos: um tipo específico de vocação. Sim, uma chamada, pois correr 42 quilômetros supõe um biotipo, uma preparação psíquica e emocional que vem do nascimento. Alguns pensam que é um esporte solitário, mas somente um maratonista compreende a conexão especial que há entre todos nós maratonistas: sou amigo do Wanderlei Cordeiro, do Frank Caldeira, do professor japonês Yuki Kawauchi, do queniano Eliud Kipchoge e da suíça Gabriele Andersen. Somos uma espécie de família, algo que só um maratonista entende.Todos os caminhos vão dar a Roma. E como estou em uma caminhada, tinha de estar na Cidade Eterna. Ali todos os dias fiz a pé, ou melhor, correndo o trajeto Cavabianca-PUSC. E isto me preparou para a prova mais importante da minha vida: sacerdote maratonista ou o maratonista sacerdote.Algumas vezes as pessoas me perguntaram– Por que está fazendo isso?– Tive vontade de correr.Quando corro, eu penso muito na mamãe, no Altair, no tênis de mesa, mas eu pensava muito mais na pergunta do Padre Rafael. Eu pensava muito nela. Eles não acreditavam que alguém corresse tanto sem motivo.Todas as vezes que corro, carrego no coração todas as pessoas que cruzaram a minha jornada. Sim, levo todos vocês em orações quando vejo o Sol nascer nos treinos de madrugada, quando a tempestade de verão me refresca ou a fria garoa do inverno me castiga, quando contemplo as belas praias da Barra da Tijuca, ou a estradas retilíneas do Planalto Central. E quando as nuvens de chuvas passam, vejo as estrelas e a Lua iluminando as ruas arborizadas da USP ou a ciclovia da Lagoa do Taquaral. Eu olho o horizonte e contemplo o Pai Celeste. Sim, Padre Rafael, eu O encontrei!
Padre Fabiano Guedes, capelão do Centro Cultural do Castelo, maratonista, completa 40 anos no dia 8 de janeiro de 2019. Como ele estará fora em janeiro, teremos tertúlia show nos dias 4 e 7 de dezembro.

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